Brunno Soares
João Pessoa, 20. de Outubro de 10.2004
Sempre acreditei no amor, sempre acreditei na suas formas, nos trejeitos dos amores que vivi. Nunca duvidei, mesmo naqueles tempos em que amor, era querer alguém pela manhã, a tarde querer outra e dormir pensando numa terceira.
Não a vida, mas as minhas decisões me ensinaram muito ate aqui, tanto que por confiar de mais nas minhas decisões, esqueci, por muitas vezes, o meu verdadeiro querer, a minha própria vontade, àquela sem rodeios, sem maquiagem, bem real e minha. Se posso dizer que vivi muitos amores, talvez seja porque fui tão imediatista que nem se quer percebi os estragos que causei à minha vida e a tantas outras...
Posso ter usado algumas pessoas, e com certeza também já fui usado, poucos são os sentimentos verdadeiros, muitos são os superficiais. Às vezes a gente ama alguém por que ela é interessante, por que é bonita, por que é inteligente, extrovertida... de fato, pelo que ela pode nos oferecer, pelas diferentes surpresas que ela trará ao nosso remoto e patético mundinho.
“Devemos sim, amar quem nos ama. Mas não devemos amar por que alguém nos ama, pois isto nunca será amor, será troca de favores”. – talvez eu tenha sido o maior mercador que já houve, ou talvez tenha sido para minha alegria, o mais falido que alguém já amou! Por ventura alguém seria capaz de notar isso?
Penso que podemos sim amar varias vezes na vida, como também podemos “não amar” varias vezes na vida, tudo depende do quanto você se entrega, do quanto se abre e do quanto se renuncia. Quase sempre é difícil deixar que alguém permaneça em nossa vida por muito tempo, o medo de perder ou o receio de se envolver constantemente se sobrepõe à nossa disposição para amar, não é mesmo?
Quem ousaria permitir que outro lhe tocasse tão fundo? Quem permitira se apaixonar perdidamente por outra pessoa? Quem se entregaria sem reservas a um outro ser? Não sabemos ao certo quem é capaz disso. Vivemos alheios aos sentimentos dos outros, talvez seja até melhor assim, pois somos tão volúveis que nos escondermos às vezes parece ser a melhor saída para não atrapalharmos outros corações!
O sonho de ser amado pode estar sim ao nosso alcance, pode deixar àquelas histórias fantásticas que cansamos de ouvir enquanto crescemos e passar a habitar nosso ser. É provável que, muitos não se adaptem, que se surpreendam, que se arrependam, ou que simplesmente se acostumem a mesma vida durante anos, isso preocupa! Para cultivar um amor verdadeiro é preciso se apaixonar diversas e diversas vezes pela mesma pessoa.
Por isso é que vivo, pra encontrar quem me complete, quem me traga esse amor, quem vai abalar meu ser... Para que eu possa caminhar sem tropeços e não precisar parar outra vez e olhar pra trás.
[..]
"Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito''.
Machado de Assis












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