Páginas

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Das leituras de Mario Prata (III)

MARIO PRATA escreveu em CEM MELHORES CRÔNICAS:



Retirado da crônica ''Criança diz cada uma..."
(Págs 127)


"Já disse que meu filho se chama Antonio. Um dia, ele tinha uns quatro anos, dei uma bronca nele sei lá por que e ele me xingou, feroz:
- Você é uma anta!!!
No que eu, sem perder a calma, perguntei:
-Ah, é? E quem é filho de anta, o que que é?
Pensou dois segundos e me desarmou completamente:
- Filho de anta é... é... Antonio!''

( ... )

"E aquela religiosa mãe que pegou o filho e um amiguinho dentro do banheiro fazendo uma troca-troca? Só que, quando ela entrou, o filho queridinho e santo levava uma nítida desvantagem no ato. Mas o pequeno pecador não se abalou:
- Mas mãe, eu comi primeiro!"

( ... )

"E tinha um garotinho que era infernal. Brigava todo dia na escola. Um dia, no almoço, o pai, para testar seus conhecimentos bíblicos (ele estudava num colégio de padre), perguntou:
- Meu filho, me diz quem foi que jogou a pedra no Golias.
O garoto desatou a chorar.
- Tá vendo, mãe? Tudo eu. Tudo eu. Juro, pai, juro pelo que é de mais sagrado que eu nem conheço esse menino."

Retirado da crônica ''Espelho mágico"
(Págs 135)


"O que será desta geração que vem nascendo conhecendo primeiro a ficção e depois a realidade?''

Retirado da crônica ''Um noite com Rubem Braga"
(Págs 157)


"Muito difícil diferenciar uma crõnica de um artigo, assim como o conto de uma novela e uma novela de um romance. Tem gente que diz que é uma questão de tamanho, linhas''

"Os espelhos deveriam refletir melhor antes de refletirem certas imagens!", citando Rubem Braga

"Como se você visse com o cérebro e escrevesse com o coração."

Retirado da crônica ''Naquela mesa tá faltando um"
(Págs 170)


"... quando se discute a relação é porque não existe mais relação."


Retirado da crônica ''O isqueiro"
(Págs 201)


"E contra instinto a gente não pode brigar. Principalmente quando o instinto é sincero."


Das leituras de Mario Prata (III)

MARIO PRATA escreveu em CEM MELHORES CRÔNICAS:



Retirado da crônica ''Criança diz cada uma..."
(Págs 127)


"Já disse que meu filho se chama Antonio. Um dia, ele tinha uns quatro anos, dei uma bronca nele sei lá por que e ele me xingou, feroz:
- Você é uma anta!!!
No que eu, sem perder a calma, perguntei:
-Ah, é? E quem é filho de anta, o que que é?
Pensou dois segundos e me desarmou completamente:
- Filho de anta é... é... Antonio!''

( ... )

"E aquela religiosa mãe que pegou o filho e um amiguinho dentro do banheiro fazendo uma troca-troca? Só que, quando ela entrou, o filho queridinho e santo levava uma nítida desvantagem no ato. Mas o pequeno pecador não se abalou:
- Mas mãe, eu comi primeiro!"

( ... )

"E tinha um garotinho que era infernal. Brigava todo dia na escola. Um dia, no almoço, o pai, para testar seus conhecimentos bíblicos (ele estudava num colégio de padre), perguntou:
- Meu filho, me diz quem foi que jogou a pedra no Golias.
O garoto desatou a chorar.
- Tá vendo, mãe? Tudo eu. Tudo eu. Juro, pai, juro pelo que é de mais sagrado que eu nem conheço esse menino."

Retirado da crônica ''Espelho mágico"
(Págs 135)


"O que será desta geração que vem nascendo conhecendo primeiro a ficção e depois a realidade?''

Retirado da crônica ''Um noite com Rubem Braga"
(Págs 157)


"Muito difícil diferenciar uma crõnica de um artigo, assim como o conto de uma novela e uma novela de um romance. Tem gente que diz que é uma questão de tamanho, linhas''

"Os espelhos deveriam refletir melhor antes de refletirem certas imagens!", citando Rubem Braga

"Como se você visse com o cérebro e escrevesse com o coração."

Retirado da crônica ''Naquela mesa tá faltando um"
(Págs 170)


"... quando se discute a relação é porque não existe mais relação."


Retirado da crônica ''O isqueiro"
(Págs 201)


"E contra instinto a gente não pode brigar. Principalmente quando o instinto é sincero."


domingo, 27 de novembro de 2011

Das leituras de Mario Prata (II)

MARIO PRATA escreveu em CEM MELHORES CRÔNICAS:



Trechos retirados da crônica ''Separei e mudei"
(Págs 49, 50, 51)


"Mas a sabedoria da separação está em cometê-la antes que a situação se deteriore de vez.''


"É duro cara, cair na real, separar e mudar. Principalmente quando a gente ama, e como ama, a pessoa separada.''

Trecho retirado da crônica ''A empregada"
(Págs 74, 75, 76)
"No Imposto de Renda, já consta empregada doméstica como profissão. Já escritor... Morro de inveja delas. São reconhecidas como trabalhadoras necessárias e honestas.''

Trechos retirados da crônica ''De homem para homem"
(Págs 106, 107)
"As mulheres não sacam que o homem tem que encher um tubo - de tamanho variável - de sangue. Snague este que, enquanto está lá, deixa, obviamente, de estar em outro lugar. Coração & pulmão, por exemplo.''

"É preciso espaço para a respiração, para a musculação voltar ao normal. Mas elas não respeitam o repouso do guerreiro. Gozado, né? Estou falando sério, não estou gozando, não!"

Trecho retirado da crônica ''Afinal, quem é louco?"
(Págs 113)
"E eu, como escritor, adoro observar as pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corinthianos ou palmeirenses. Acho que todo escrito gosta deste brinquedo, no mínimo, criativo.''

Trechos retirados da crônica ''Culpa"
(Págs 118)
"No princípio era o verbo e eu achaba que só eu me sentia culpado. Com o passar do tempo (e da verba) fui descobrindo que todo criador tem culpa. Não no cartório. Mas na consciência.''

"Todo mundo acha que a pessoa que vive de criar, ou seja, um criador, não faz nada o dia inteiro. Fica só pensando. É verdade. O problema é que ninguém considera o trabalho de pensar como ofício.''

"Será que só pode ser considerado trabalhado o sujeito que fica o dia inteiro numa mesa de escritório, ouvindo pela janela olha a uva de Atibaia, melancia barata, melancia barata?"


...

Das leituras de Mario Prata (II)

MARIO PRATA escreveu em CEM MELHORES CRÔNICAS:



Trechos retirados da crônica ''Separei e mudei"
(Págs 49, 50, 51)


"Mas a sabedoria da separação está em cometê-la antes que a situação se deteriore de vez.''


"É duro cara, cair na real, separar e mudar. Principalmente quando a gente ama, e como ama, a pessoa separada.''

Trecho retirado da crônica ''A empregada"
(Págs 74, 75, 76)
"No Imposto de Renda, já consta empregada doméstica como profissão. Já escritor... Morro de inveja delas. São reconhecidas como trabalhadoras necessárias e honestas.''

Trechos retirados da crônica ''De homem para homem"
(Págs 106, 107)
"As mulheres não sacam que o homem tem que encher um tubo - de tamanho variável - de sangue. Snague este que, enquanto está lá, deixa, obviamente, de estar em outro lugar. Coração & pulmão, por exemplo.''

"É preciso espaço para a respiração, para a musculação voltar ao normal. Mas elas não respeitam o repouso do guerreiro. Gozado, né? Estou falando sério, não estou gozando, não!"

Trecho retirado da crônica ''Afinal, quem é louco?"
(Págs 113)
"E eu, como escritor, adoro observar as pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corinthianos ou palmeirenses. Acho que todo escrito gosta deste brinquedo, no mínimo, criativo.''

Trechos retirados da crônica ''Culpa"
(Págs 118)
"No princípio era o verbo e eu achaba que só eu me sentia culpado. Com o passar do tempo (e da verba) fui descobrindo que todo criador tem culpa. Não no cartório. Mas na consciência.''

"Todo mundo acha que a pessoa que vive de criar, ou seja, um criador, não faz nada o dia inteiro. Fica só pensando. É verdade. O problema é que ninguém considera o trabalho de pensar como ofício.''

"Será que só pode ser considerado trabalhado o sujeito que fica o dia inteiro numa mesa de escritório, ouvindo pela janela olha a uva de Atibaia, melancia barata, melancia barata?"


...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Das leituras de Mario Prata (I)

MARIO PRATA escreveu em CEM MELHORES CRÔNICAS:


Trechos retirados da crônica ''Amor só de letras"
(Págs 242, 243)


"Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro.

Já disse, isso envaidece qualquer escritor. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.

A relação, o namoro, começa ali no monitor. Voce pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela.

E é com o texto que vai se fazendo charme. Você ainda não sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.

[ ... ]

No caso do amor ali nascido, a feiúra, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor."


Trechos retirados da crônica ''Pra cumemuié, uai"
(Págs 40, 41)

"Mas a verdade é que é a mulher o objetivo do homem."

"Um mundo só de homens seria o grande erro da criação."

"... tudo que o homem faz, tudo, é com um único objetivo: cumemuié. O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê: O sujeito quer ficar famoso pra quê? O indivíduo malha, faz exercícios pra quê? Mulher!"

"As mulheres, antigamente, ficavam trancadas dentro de casa e se tratavam e ficavam bonitas apenas para os seus homens. Ai começaram a dar liberdade pras danadas e deu no que deu. O mundo ganhou vida, além de beleza, é claro.''

"E, se você que está lendo isto aqui, for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher. Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua, nas telenovelas. Só homens. Já pensou? Filmes só com homens? Romance sem uma Capitu ou uma Madame Bovary? Um casamento sem noiva? Um mundo sem cinturas e saboneteiras? Um mundo sem sogras? Enfim, um mundo sem metas."


Das leituras de Mario Prata (I)

MARIO PRATA escreveu em CEM MELHORES CRÔNICAS:


Trechos retirados da crônica ''Amor só de letras"
(Págs 242, 243)


"Sim, pela primeira vez nesta nossa humanidade já tão velhinha, as pessoas estão se conhecendo primeiramente pela palavra escrita. E lida, é claro.

Já disse, isso envaidece qualquer escritor. Agora, o texto pode levar ao amor. Uma espécie de amor-de-texto, amor-de-perdição.

A relação, o namoro, começa ali no monitor. Voce pode passar algumas horas, dias e até semanas sem saber nada da outra pessoa. Só conhece o texto dela.

E é com o texto que vai se fazendo charme. Você ainda não sabe se a pessoa é bonita ou feia, gorda ou magra, jovem ou velha. E, se não for esperto, nem se é homem ou mulher. Mas vai crescendo uma coisa dentro de você. Algo parecidíssimo com amor. Pelo texto.

[ ... ]

No caso do amor ali nascido, a feiúra, o peso, a cor, a idade ou a nacionalidade não importam. O que é mais importante é o texto. O texto é a causa do amor."


Trechos retirados da crônica ''Pra cumemuié, uai"
(Págs 40, 41)

"Mas a verdade é que é a mulher o objetivo do homem."

"Um mundo só de homens seria o grande erro da criação."

"... tudo que o homem faz, tudo, é com um único objetivo: cumemuié. O cara faz um esforço desgraçado para ficar rico pra quê: O sujeito quer ficar famoso pra quê? O indivíduo malha, faz exercícios pra quê? Mulher!"

"As mulheres, antigamente, ficavam trancadas dentro de casa e se tratavam e ficavam bonitas apenas para os seus homens. Ai começaram a dar liberdade pras danadas e deu no que deu. O mundo ganhou vida, além de beleza, é claro.''

"E, se você que está lendo isto aqui, for um homem, tente imaginar a sua vida sem nenhuma mulher. Aí na sua casa, onde você trabalha, na rua, nas telenovelas. Só homens. Já pensou? Filmes só com homens? Romance sem uma Capitu ou uma Madame Bovary? Um casamento sem noiva? Um mundo sem cinturas e saboneteiras? Um mundo sem sogras? Enfim, um mundo sem metas."


sábado, 19 de novembro de 2011

Desconhecida

Brunno Soares
João Pessoa, 24 de Outubro de 2003



O poema é antigo, fora inspirado em outra pessoa, mas hoje ele se apropria de você, Natalia Santis, então, é seu.





A você que não conheço,
Entrego mistério,
Entrego magia e emoção
Não te conheço.
Não sabia,
sem te ver te encontrei
Num dia sem razão.

Em você que não conheço penso!
Mesmo por um segundo imenso,
entre um intervalo de tempo
a um passo leve da mão.

Se procuro só vejo rastros,
o que quero, seus olhos,
não acho.
Me perco sem saber o que faço
Sem saber se falo ou não!

A você que não se esconde inibida
Lanço palavras soltas no ar,
Busco um rumo,
uma saída.
Se tento um nome lhe dar,
Só me resta querer,
desconhecida.

A você que se revela em partes,
que virou vicio,
que virou um “tudo”, o inicio.

A você que não conheço,
que não sinto o cheiro,
que não beijo,
que não toco,
que não sei se mereço,
que não provo
e sem ver não esqueço.
Você mesma!
Um traço de emoção em que me perco,
em pouco espaço,
entrego um pedaço do coração.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um pouco mais de Dom Casmurro (IV)

Machado de Assis escreve em Dom Casmurro:



"... tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam-se as luzes, e os espectadores vão dormir''. (Pág. 103)

"Ela amou o que me afligira.
Eu amei a piedade dela.''
(Pág. 104)

"... nem tudo é claro na vida ou nos livros" (Pág. 107)

"Um dos costumes da minha vida foi sempre concordar com a opinião provável do meu interlocutor, desde que a matéria não me agrava, aborrece ou impõe." (Pág. 115)

"Custa-me dizer isto, mas antes peque por excessivo que por diminuto." (Pág. 116)

"Há consolações maiores, decerto, e uma das mais excelentes é não padecer esse nem outro mal algum, mas a natureza é tão divina que se diverte com tais contrastes, e aos mais nojento ou mais aflitos acena com uma flor." (Pág. 124)

"A natureza é simples. A arte é atrapalhada." (Pág. 127)

"... a vaidade é um princípio de corrupção." (Pág. 132)

"... e não vi que essa menina travessa e já de olhos pensativos, era a flor caprichosa de um fruto sadio e doce..." (Pág. 135)

"A felicidade tem boa alma". (Pág. 138)

Aproveitando pra adicionar mais citações ao post:


"Purgatório é uma casa de penhores, que empresta sobre todas as virtudes, a juro alto e prazo curto. Mas os prazos renovam-se, até que um dia uma ou duas vitudes medianes pagam todos os pecados grande e pequenos." (Pág. 152)

"Os intantes do diabo intercalavam-se nos minutos de Deus, e o relógio foi assim marcando alternativamente a minha perdição e a minha salvação". (Pág. 158)

"Há remorsos que não nascem de outro pecado, nem tê maior duração".
(Pág. 158)

''... tudo são pretextos a um coração agoniado''.
(Pág. 164)
"As pessoas valem o que vale a afeição da gente".
(Pág. 168)

"O costume valeu muito contra o efeito da mudança; mas a mudança fez-se, não à maneira de teatro, fez-se como a manhã que aponta vagarosa, primeiro que se possa ler uma carta, depois lê-se a carta na rua, em casa, no gabinete, sem abrir as janelas; a luz coada pelas persianas basta a distinguir as letras."
(Pág. 168)

"Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de mim que ninguém".
(Pág. 169)

"Já entre nós só faltava dizer a palavra última; nós a líamos, porém, nos olhos um do outro, vibrante e decisiva...'' (Pág. 169)

Um pouco mais de Dom Casmurro (IV)

Machado de Assis escreve em Dom Casmurro:



"... tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam-se as luzes, e os espectadores vão dormir''. (Pág. 103)

"Ela amou o que me afligira.
Eu amei a piedade dela.''
(Pág. 104)

"... nem tudo é claro na vida ou nos livros" (Pág. 107)

"Um dos costumes da minha vida foi sempre concordar com a opinião provável do meu interlocutor, desde que a matéria não me agrava, aborrece ou impõe." (Pág. 115)

"Custa-me dizer isto, mas antes peque por excessivo que por diminuto." (Pág. 116)

"Há consolações maiores, decerto, e uma das mais excelentes é não padecer esse nem outro mal algum, mas a natureza é tão divina que se diverte com tais contrastes, e aos mais nojento ou mais aflitos acena com uma flor." (Pág. 124)

"A natureza é simples. A arte é atrapalhada." (Pág. 127)

"... a vaidade é um princípio de corrupção." (Pág. 132)

"... e não vi que essa menina travessa e já de olhos pensativos, era a flor caprichosa de um fruto sadio e doce..." (Pág. 135)

"A felicidade tem boa alma". (Pág. 138)

Aproveitando pra adicionar mais citações ao post:


"Purgatório é uma casa de penhores, que empresta sobre todas as virtudes, a juro alto e prazo curto. Mas os prazos renovam-se, até que um dia uma ou duas vitudes medianes pagam todos os pecados grande e pequenos." (Pág. 152)

"Os intantes do diabo intercalavam-se nos minutos de Deus, e o relógio foi assim marcando alternativamente a minha perdição e a minha salvação". (Pág. 158)

"Há remorsos que não nascem de outro pecado, nem tê maior duração".
(Pág. 158)

''... tudo são pretextos a um coração agoniado''.
(Pág. 164)
"As pessoas valem o que vale a afeição da gente".
(Pág. 168)

"O costume valeu muito contra o efeito da mudança; mas a mudança fez-se, não à maneira de teatro, fez-se como a manhã que aponta vagarosa, primeiro que se possa ler uma carta, depois lê-se a carta na rua, em casa, no gabinete, sem abrir as janelas; a luz coada pelas persianas basta a distinguir as letras."
(Pág. 168)

"Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de mim que ninguém".
(Pág. 169)

"Já entre nós só faltava dizer a palavra última; nós a líamos, porém, nos olhos um do outro, vibrante e decisiva...'' (Pág. 169)

domingo, 13 de novembro de 2011

Eça foi boa!

Eça de Queiroz acerca do Realismo em Portugal, por volta de 1870:


"É a negação da arte pela arte; é a proscrição do convencional, do enfático, do piegas. É a abolição da retórica considerada arte de promover a emoção, usando da inchação do período, da epilepsia da palavra, da congestação dos tropos. É a análise com o fito na verdade absoluta. Por outro lado, o Realismo é uma reacção contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do carácter, é a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos - para condenar o que houver de mau na nossa sociedade". "É a negação da arte pela arte; é a proscrição do convencional, do enfático, do piegas. É a abolição da retórica considerada arte de promover a emoção, usando da inchação do período, da epilepsia da palavra, da congestação dos tropos. É a análise com o fito na verdade absoluta. Por outro lado, o Realismo é uma reacção contra o Romantismo: o Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do carácter, é a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos - para condenar o que houver de mau na nossa sociedade".


E sobre os preceitos a seguir na nova escola, acrescentou:


"A norma agora são as narrativas a frio, deslizando como as imagens na superfície de um espelho, sem intromissões do narrador. O romance tem de nos transmitir a natureza em quadros exactíssimos, flagrantes, reais".



Nada como um seminário no final de período para lhe tirar o sono!!




sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Amaritudo

Antero de Quental, in "Sonetos"




Só por ti, astro ainda e sempre oculto,
Sombra do Amor e sonho da Verdade,
Divago eu pelo mundo e em ansiedade
Meu próprio coração em mim sepulto.

De templo em templo, em vão, levo o meu culto,
Levo as flores d'uma íntima piedade.
Vejo os votos da minha mocidade
Receberem somente escárnio e insulto.

À beira do caminho me assentei...
Escutarei passar o agreste vento,
Exclamando: assim passe quando amei! —

Oh minh'alma, que creste na virtude!
O que será velhice e desalento,
Se isto se chama aurora e juventude?




quinta-feira, 3 de novembro de 2011

26


O amanhã será um dia feliz!

Quero meus amigos por perto,
a família no peito
e o meu amor bem junto!!!


[ ... ]