domingo, 12 de abril de 2009

A tentação do plágio

Por WALTER LÚCIO DE ALENCAR PRAXEDES
Postado mediante permissão do autor.
Fonte: http://www.espacoacademico.com.br/024/24wlap.htm


Para expiação do pecado capital do mundo do conhecimento que é o plágio, um primeiro passo pode ser a simples confissão. Nos livramos da culpa do plágio citando a fonte de uma informação ou argumento.

Quando um autor perde a capacidade de resistir ao mal o plágio se consuma. O ato de plagiar é então considerado um crime hediondo. Em seu julgamento o réu será acusado de premeditação, falta de escrúpulos, desonestidade, falta de ética profissional. Aos poucos os argumentos condenatórios resvalarão para o campo da moral. No comportamento anterior do réu serão buscados indícios de vileza, vulgaridade e lascívia. Com tão pungente peça acusatória o veredicto final só poderá ser a condenação ao ostracismo intelectual.

É claro que a defesa poderá sempre alegar que o crime foi passional, argumentando que o acusado não resistiu a um impulso irracional de apropriação indevida da criação alheia e agiu por amor, não por inveja ou cobiça.

Se um texto é uma espécie de filho que colocamos no mundo, a moral nos ensina que o melhor é que não seja fruto de um incesto. O plágio é um incesto que realizamos com um irmão ou irmã de ofício, que nos seduziu através do seu texto. A atração por plagiar é como um desejo incestuoso do qual nos afastamos se resignando à imperfeição do nosso próprio texto.

Quer seja o plágio considerado como um vulgar crime motivado pela falta de ética, ou como um ato passional, e até mesmo um incesto, no mundo das letras não conseguimos evitar um sentimento misto de repulsa e compaixão pelo criminoso plagiário, considerado mais uma pobre vítima de uma tentação demoníaca.

Ao autor considerado pelos pares como sério, consistente e inovador pode ser relevada uma falta até grave em sua vida privada. Dificilmente, porém, lhe será concedido o perdão por um plágio comprovado e às vezes apenas presumido.

Podemos, então, concluir que uma interdição tão severa como a que paira sobre o ato de plagiar só pode mesmo ser explicada pela existência de um desejo de transgressão que tenha a mesma intensidade.



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Doutor em Educação pela USP e professor de sociologia na Universidade Estadual de Maringá e Faculdades Nobel. É co-autor dos livros O Mercosul e a sociedade global (12ª Ed. 2002) e Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia (1997)

3 comentários:

Luci Lacey disse...

Brunno

A vaidade humana nao tem limite.

A busca insana dos aplausos, ofusca os meios para consegui-lo.

Beijinhos e boa semana.

Odele Souza disse...

Brunno,

Sou amiga da Luci, da Betty e de muitas pessoas na Blogosfera e repudio fortemente o ato de plagiar. Acho que quem plagia comete uma desonestidade, e monstra uma falha de caráter. O plagiador, merece, além do repúdio, pena, por sua pobreza intelectual. Mas não será este sentimento de pena que nos fará aceitá-lo entre os que têm atitudes transparentes, e quando usam o trabalho intelectual de outros, mencionam a fonte e lhes dão os devidos créditos.

Não podemos ser coniventes com os plagiadores.

Um abraço.

maristela disse...

Brunno. Eu soube do que fizeram com seu texto, e não me surpreendi. De há muito achava que aquela prolixidade tinha fundo de cópia e de recorta e cola com "acréscimos' pessoais. Lamentável. Já tinha tirado o link da moça há muito de meus blogs. Vou escrever algo a respeito. Seu trabalho é admiráve, Brunno. Ma,s mesmo que não fosse, há algo chamado respeito que deve ser obedecido ou vamos todos para o brejo mais rápido do que stamos indo.
abração
maristela