Crônicas de Afeto

Porque escrever torna o Homem mais preciso!

dose

25.01.2012

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" ... boca entreaberta, garganta seca, mãos trêmulas e o desejo lhe propôs vontades - a stas ele disse sim. para elas fez o gesto chamando com os dedos. vem! venha quantas e quantas vezes quiser, ele pensou. cada dia ou palavra dedicada a ela é bebido como o sabor que vicia. ele já não depende propriamente de si mesmo. já não há tanta força que o mantenha de pé. liquido ou sólido, gelado ou fervente, a seco ou no chuveiro, no banco ou na mesa é tudo a bandeja que traz o desejo. só quer dela a próxima dose, mais forte. mais gosto. mais gozo. já é dependente, assumido."





[ ... ]
Penúltimo texto da série #fermata a ser postado no blogue. A idéia é que a continuidade da série esteja no meu primeiro livro. Em breve mais detalhes.


De novo, Caio?

22.01.12

"Eu gostaria de ir embora para uma cidade qualquer, bem longe daqui,
onde ninguém me conhecesse, onde não me tratassem com consideração apenas por eu ser "o filho de fulano" ou "o neto de beltrano". Onde eu pudesse experimentar por mim mesmo as minhas asas para descobrir, enfim, se elas são realmente fortes como imagino. E se não forem, mesmo que quebrassem ao primeiro vôo, mesmo que após um certo tempo eu voltasse derrotado, ferido, humilhado - mesmo assim restaria o consolo de ter descoberto que valho o que sou". (p.73)



Caio Fernando Abreu, em Limite Branco.

Falando de mim, Caio?



"Bruno. Às vezes me lembro dele. Sem rancor, sem saudade, sem tristeza. Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que, afinal, o tempo passou. Nunca mais o vi, depois que foi embora. Nunca nos escrevemos. Não havia mesmo o que dizer. Ou havia? Ah, como não sei responder às minhas próprias perguntas! É possivel que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas. É possível também que o afastamento total só aconteça quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar, a investigar - e principalmente a fingir. Fingir que encontra. Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo." (p.57)




Caio Fernando Abreu, em Limite Branco.


..

ritmo

08.01.12

( ... )



''... não há por que parar com aquilo que lhe faz tão bem. na verdade este pensamento é tão remoto que nem merecia ser citado. seja como for, ele não hesita, não se detém. vai! toma a moça pela mão esquerda, a direta vai na cintura dela, desce sua barba sobre o seu pescoço. ela lhe impõem o compasso. ela, na verdade, é a canção toda. o corpo dela é o perfeito instrumento. ele já deixou o vaidade e o medo de lado, agora segue o ritmo.''



..

parte

03.01.12

( ... )


"... ele sabe que há momentos em que simplesmente não há o que se fazer. apenas perder-se em meio as possibilidades que invadem sua mente, fazendo brotar teorias sobre coisas ruins. por mais que seu ímpeto de cuidar e proteger lhe cobre uma atitude, o seu olhar distante e o nó na garganta durante seu silêncio servem para que ele saiba que uma relação a dois é moldada com uma paciência dolorosa e que talvez a pior parte do amor seja não saber; não ter o controle do outro, não saber muitas vezes o que se passa na mente dela, não ter noção dos seus medos mais profundos, não prever suas falhas ou vontades, e, ainda assim, oferecer-lhe abrigo e devoção.''



...

''Quando não posso atar a minha amada ao meu abraço, o coração emudece por não ter controle da dor alheia...''

(Brunno Soares)

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