quarta-feira, 22 de março de 2017

os poetas da minha geração



a minha geração tem poetas que não rimam
escrevem por conta própria
à caneta à lápis à tinta
esses incontidos não medem distância
não almejam desistências
todos se encontram fora e dentro
das universidades

gosto da parcela que escreve e se lambuza
e muito pouco ou quase nada
da parcela que mal escreve
mas que disseca o poema
feito sapo gordo que
fugiu de um banho de sal

os poemas da minha geração não
são relíquias dos seus autores
são palavras dos outros
para o outros
para os trouxas, também

os poetas da minha geração andam de busão
pedalam e vendem seus folhetos
para os transeuntes da cidade

os poetas da minha geração não esperam aplausos
eles colocam no poema palavras não romantizadas
pneumotórax pterodáctilo traumatismo
e assim vão

os poemas da minha geração
não tem poetas
e os patetas da minha geração
não leem poemas

caminhamos livres e tímidos
envoltos em sonhos e gritos
e nos encontramos fortes

nas soleiras das casas
na fumaça dos cigarros
e nos nossos poemas
que falam
de amor.

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