domingo, 1 de julho de 2012

Das leituras de Gaston Bachelard (I)

Gaston Bachelard escreveu em A chama de uma vela






... a renovação da fantasia recebe um sonhador na contemplação de uma chama solitária.

Diante dela, desde que se sonhem o que se percebe não é nada, comparado com o que se imagina.
... mas será que um livro acaba alguma vez des descrever toda a convicção de seu autor?

Todo sonhado inflamado é um poeta em potencial.

As fantasias da pequena luz nos levam de volta ao reduto da familiaridade.

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Um coração sensível gosta de valores frágeis.

É preciso esforçar-se para achar o ser verdadeiro sob a caricatura.

É necessário que se tenha vinganças a executar para imaginar o inferno.
Existe um parentesco entre a lamparina que vela e a alma que sonha. Tanto para uma quanto na luz fraca encontra-se a mesma paciência.

A chama ilustra a solidão do sonhador, ilumina a fronte oensativa. A vela é o astro da página branca.

Quando uma grande ausência deixa um vazio em uma residência, um lampião ... vindo de não sei qual passado, mantém uma presença, espera, com uma paciência de lampião, o exilado.

Tudo é nosso, tudo é para nós, quando reecontrarmos em nossos devaneios ou na comunicação dos devaneios dos outros as raízes da simplicidade.

A inteligência é inepta quando é preciso analisar fantasia de ignorantes.

Apenas uma contradição lhe basta para atormentar a natureza e liberar o sonhado da banalidade dos julgamentos.

É preciso que as pessoas racionais perdoem àqueles que escutam os demônios do tinteiro.

Mas quando se sonha mais profundamente, o belo equilibrio do pensamento entre a vida e a morte é perdido. No coração de um sonhador de vela, que resonãncia tem essa palavra: apagar-se! As palavras, sem dúvida, desertam de suas origens e retomam uma vida estranha, uma vida emprestada ao acaso de simples comparações.

Mas no cubículo de um sonhador os objetos familiares tornam-se mitos do universo. A vela que se apaga é um sol que morre. A vela morre mesmo mais suavemente que o astro celeste. O pavio se curva e escurece. A chama tomou, na escuridão que a encerra, seu ópio. E a chama morre bem: ela morre adormecendo.





...


Um comentário:

Cláudio Antônio Silva disse...

Olá Bruno!
Estou lendo este livro como parte dos estudos em uma escola para o desenvolvimento da consciência. Como sou da área de exatas a leitura está sendo árida embora consiga encontrar pequenos oásis em que repouso e até encontro um certo prazer.
Fico curioso em saber qual é a importância deste livro para um poeta como você?
Atenciosamente