quarta-feira, 6 de junho de 2012

Das leituras de Maíra Viana (I)



Apreender e compreender, partilhar. Esse é o diálogo singelo que pode unir pessoas, fazer com que as almas se toquem. Lendo María Viana eu comecei a dialogar com as músicas livres de O Teatro Mágico e por consequência, consegui dialogar com algumas dores e algumas esperanças que trago no peito. Há espaços dentro da gente que só a poesia alcança.




Maíra Viana, escreveu em O Teatro Mágico em palavras II - diálogos:



O que faz com que algumas pessoas sejam nossas e todo o resto do mundo não?

( ... )

... ver a vida me acenar novamente o sentido das coisas, à partir de uma pequena cova.

( ... )

... em algum momento da vida, daqueles em que o tempo para, os letreiros sobem e a gente se pega com oolhar longíquo, imaginando, da padaria, o que vem depois, quando a trilha acaba.

( ... )

Nada mais me pertence. Meus sonhos, meus medos, as coisas que sou e não sei, as coisas que quero e não fui. Como posso impedir o inevitável, se já não sou o que era momentos atrás? E meus pés, que fazem eles? Não me respeitam mais e lhe acompanham como se tivessem, para sempre, sidos seus. Como se atrevem, você e essas partes todas de mim? Não me reconheço mais, sabendo o que sei agora. Entendendo que o que mais quero é deixar que me leves pelo braçom flutuando nesse bosque-mar que vislumbro, ambos se inciando em algo mútuo, torcendo sempre para que bons ventos possam nos alcançar.

( ... )

O amor violava todos os espaços, superlotava o armário do quarto, transbordava a pia em pilhas de pratos, persistia em arranhar no violão aquele seu sambinha chato.

( ... )

Todo dia eu acordo e me separo de você. Sigo meu caminho e busco outros prazeres. Preencho as lacunas de pensamento com chocolate e televisão. Troco móveis de lugar para que nada me lembre o que eu não devo lembrar. Em diante do espelho, me convenço que tudo isso é essencial.

...

Então, fica combinado assim: eu me salvo e você se salva. E a gente se vê qualquer dia.

...

Todo dia eu acordo e me separo de você. Pago contas, anoto recados, vou ao cinema, pego trânsito e pareço seguir em frente. Me separo de você e de tudo o que eu não quero mais viver.

...

O problema é que toda noite eu adormeço e me caso com você de novo.

( ... )

Já tampei os ouvidos, já soltei bomba, já mandei tudo pelos ares. E está tudo aqui dentro outras vez: cheiros, sons, diálogos tradios...

( ... )

E, poxa, às vezes a gente só precisa dizer "alô" ou dividir uma garrafa de cerveja com alguém, num boteco de calçada.

...

Ando tentando entender a essência desse povo todo, que habita o meu espaço, o chão da Terra, a nossa era. Eu observo as minhas pessoas.

...

Falo de uma frequência afetiva que faz com que a gente se perceba, se pertença, se adote; oscilando encontros e desencontros, em ondas de afinidade que nos selam uns nos outros, mesmo que distante, independente de que horas são e de onde estamos agora!

( ... )

Levávamos conosco o amuleto da coragem e um punhado de fé suficiente pra acreditar que o outro matinha-se vivo, talvez já do lado de lá, à espera do que haveria de ser quando estivessem novamente se fazendo companhia.



...

Se quiser conhecer um pouco de Maíra, clica aqui.
Se quiser comprar os livros da moça, aqui.


...

Um comentário:

Karina Alcântara disse...

Concordo com voce... "Há espaços dentro da gente que só a poesia alcança". Espaços que, no abstratismo das ausências, são preenchidos pela concretude terapêutica da poesia... Abraços