quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ESCREVER É UM ATO INSTANTÂNEO?

O homem senta-se à mesa. Está sobre ela uma folha em branco, o homem tem uma caneta à mão. Ele a debruça sobre o papel e BUM! Está ali um texto completo e à vácuo!
 
Algumas pessoas sustentam o pensamento de que escrever é um ato simples, que não exige tanto empenho e que não demanda qualquer tipo de esforço. Esse pensamento é uma extensão do primeiro mito que tratei aqui.
 
Na concepção de que a criação do texto é um processo meramente instantâneo subentende-se que quem possui o dom pode, como em um passe de mágica, conceber um texto do nada. Em outras palavras, um aborto literário.
 
Felizmente não é sempre assim.
 
O trabalho com o texto não é apenas técnico, somente instantâneo ou sempre pragmático. Inúmeros processos psíquicos, comportamentais, socioculturais são ativados no momento da concepção (gestação?) de um texto. Soma-se a isso o contexto de vida do escritor, seu arcabouço de habilidades, familiaridade com a língua, conhecimento sintático e literário, sua visão de mundo, crenças, conjunto de valores, etc.
 
São diversos fatores que solicitam do autor um esforço aplicado, um manuseio delicado de todo o universo ao redor do ato. Sem esquecer de pontos como a intenção, os destinatários do texto, sua funcionalidade e articulação com o leitor/ouvinte/observador.
 
Dito isto, devemos rebater o pensamento de que a escrita é um ato em si mesmo e abrir espaço para o desenvolvimento de um pensamento complexo, inteligível e mais íntegro com o texto, com a arte de escrever, e, principalmente, com aqueles que se apropriarão da obra em questão para indeterminados fins.


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