quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ESCREVER É UM DOM?

São inúmeros os mitos que cercam o ato de escrever. Boa parte deles são fruto de modelos de argumentação criados ao longo do tempo, perpetuados por uma grande parte preguiçosa da população e sustentados por uma massa de educadores mal preparados.

Fala-se da escrita como um dom - uma capacidade ''sobrenatural'' que alguns seres humanos possuem. Quando citamos grandes nomes como Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Machado de Assis, Clarice Lispector esse mito toma ares de verdade. Porém, prefiro pensar que a questão não se resolve de maneira tão direta assim.

Sim, é preciso reconhecer que existe algo metafísico no processo da escrita, isso não está sendo descartado aqui. E parece que algo semelhante acontece com certos escritores e com determinadas obras, pois se mantém intocáveis e relevantes no universo da escrita. É óbvio que existem e sempre existirão críticas aos grandes da Literatura, o que é perfeitamente saudável, mas é preciso concordar que existe essa magia do ''para além de...''.

Eu defendo com unhas e dentes a tese de que qualquer pessoa pode desenvolver a prática da escrita, alguns com mais dificuldade obviamente, mas considero todos como seres capazes.

No âmbito religioso a palavra 'dom' aponta para uma espécie de presente, uma capacidade específica, peculiar e potencial para determinada atividade. Essa capacidade não está pronta, mas deve ser desenvolvida ao longo do tempo.

Não sei dizer se a ciência já conseguiu identificar algum gene relacionado a criatividade ou ao talento. Porém, é fácil perceber que algumas pessoas desenvolvem capacidades numa ascendente maior do que outros tantos.

De fato, escrever é um ato acessível a qualquer ser humano minimamente dotado de conhecimento. Escrever bem já é outra questão!


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